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“Se eu não gostar de mim...”

Provavelmente ainda haverá quem se lembre deste anúncio publicitário. Provavelmente este anúncio ajudou-me a verbalizar e a assumir a minha auto-estima. Gosto de mim e sei o meu valor – pessoal e profissional – confio no meu julgamento e esforço-me (depois de me penitenciar) para corrigir os meus erros. E como erro q.b. estes momentos de reflexão são uma constante. Alguns dirão que sou uma gabarola. Não creio que seja. Quem me conhece bem sabe disso; basta verem a minha contribuição escassa nas redes sociais para pouco saberem sobre mim (excepto para aqueles que se derem ao trabalho de ler nas entrelinhas, algo que duvido que façam amiúde, “nesta sociedade de consumo imediato”, onde parece nunca haver tempo a perder).

Tão-pouco esta pseudocrónica é sobre mim. Considerem estas primeiras linhas como uma breve introdução, como um espreitar curioso pela fechadura.

O que interessa de facto pensar é na nossa auto-estima enquanto profissionais das diversas áreas da tradução. Nem todos os tradutores são bons, longe disso. Não há nada de novo nesta afirmação, porque esta realidade é transversal a todas as profissões. Mas se cada tradutor tiver a auto-estima na medida correcta (ser bom juiz em causa própria, evitando ser uma criatura inflamada) saberá em que “campeonato” deve e pode jogar e quanto deve e merece receber pelos serviços que presta.

“Olha, lá vai ela falar de preços!”, pensarão alguns. Não, não vou. O valor pelo qual aceitamos prestar um serviço é apenas uma parte da equação. Se por um lado, ao aceitarmos valores com bom senso, nos valorizamos e nos prestigiamos, por outro lado, dignificamos o trabalho de todos os colegas e a nossa profissão em geral. São duas faces da mesma moeda.

Haverá sempre os chamados biscateiros – que sejam bons à sua quota e que saibam o lugar deles no mercado. Pessoalmente não dispenso muito tempo a pensar neles. Mas quando profissionais qualificados (certamente sem a devida auto-estima) se comportam como biscateiros, então há muitos motivos para nos preocuparmos todos.

Acreditem que será muito difícil afirmarmos o nosso valor depois de nos termos colocado ao nível do amadorismo. Não aceito de ânimo leve a razão das contas para pagar no final do mês. Antes de mais, precisamos de saber se queremos ter esta aflição mensal todos os meses da nossa vida ou se aguentamos estoicamente alguns meses e garantimos todos os meses que se seguirão. Naturalmente que alguns dirão que é fácil falar, mas difícil de fazer – também aqui não há novidade; sempre assim foi e acredito que sempre assim será. A esses peço que ponderem seriamente e que considerem até mudar de profissão. Não desperdicem os vossos neurónios e talentos para garantir esses vossos rendimentos mínimos. Aos outros recomendo que parem, respirem fundo, aguentem e no fim sairemos todos, em conjunto, como classe unida, a ganhar.

Já pensaram no valor do vosso trabalho para as empresas com que trabalham? Agora pensem uma vez mais: se não houver quem esteja disposto a aceitar o miserabilismo, acham mesmo que as empresas não vão abrir os cordões às bolsas para alcançar os seus lucrativos objectivos? Essas empresas precisam de nós; se querem um trabalho bem feito têm de fazer por merecê-lo, ou seja, pagar por isso. Pensem outra vez: não temos de jogar todos na liga dos campeões da tradução, mas se nos afirmarmos como profissionais qualificados, não podemos aceitar menos do que um lugar na primeira liga.

Sobre a autora:

Maria da Graça Pereira trabalha como tradutora independente desde 2009 e até à presente data nunca se arrependeu de ter tomado este rumo profissional.

Trabalhou anteriormente durante 10 anos na editora Campo das Letras, como coordenadora editorial, e teve o enorme privilégio de conviver diariamente com autores, tradutores, ilustradores e de ler textos fantásticos que, de outra forma, nunca teria lido.

Continua a manter-se ligada a editoras e a circulos literários, porque acredita no prazer e no poder de um bom livro.

 



Publicada em: 28/12/2016


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