FICHA DE INSCRIÇÃO



INICIAR SESSÃO



Pesquisa de Associados
















Notícias


Perspectivas em loop

Se considerarmos os grupos de tradutores no Facebook como barómetros para aferir dos assuntos e das preocupações que mais nos ocupam a cabeça, poderíamos compilar uma lista mais ou menos assim:

  • Preços baixos;
  • Pretensos tradutores, vulgo pessoas que têm conhecimentos de línguas e acham que isto é tudo um "mar de rosas" e podem fazer uma perninha por aqui;
  • Erros de tradução seja porque foi feita com o Google translator ou algum dos seus primos ou... vá-se lá saber porquê;
  • Clientes que não entendem a complexidade do nosso trabalho, ou que resolvem encher-nos a caixa de correio com pedidos absurdos

Olhando assim com calma e com o distanciamento possível sobre um mundo que é o meu e sobre o qual será sempre difícil ter uma opinião totalmente isenta e não marcada pela minha experiência, considero que a inquietação revelada nos três primeiros pontos da lista terá uma base comum que dá pelo nome de insegurança.

Esta insegurança, totalmente injustificada, por sinal, mina a nossa auto-estima, a nossa determinação, o foco que deveríamos manter na progressão da nossa carreira e acaba por pautar a nossa forma de actuar enquanto profissionais. Portanto, a ideia é eliminá-la por completo.

Desenvolverei a minha opinião sobre essas três preocupações noutra altura. Hoje, gostaria de vos deixar algumas notas sobre o quarto ponto, a tal incompreensão por parte do outro (cliente/amigo/todas as pessoas que não sejam tradutores) com o objectivo de funcionarem como "food for thought":

Peço-vos então um momento de reflexão e que respondam mentalmente às seguintes perguntas:

  • Sabe avaliar a complexidade do trabalho de um fisioterapeuta? (não, não é só agarrar a perna ou o braço e puxar);
  • Ou tem noção da imensidão de leis, condicionantes, estudos e afins que um engenheiro civil tem de considerar quando trata de um projecto de uma casa? (pois, parece que não é só fazer copy-paste do último e dar bitaites aos clientes);
  • Ou da lista interminável de assuntos que o dono do restaurante onde costuma ir tem para decidir? (não basta contratar o chef, ter as mesas postas e a porta aberta);
  • Ou por quantas mãos passa e quanto tempo demora a confecção daquele casaco de que tanto gosta? (quem visita uma fábrica de confecção, por exemplo, ficará admirado com a quantidade de fases em que é repartida a feitura de uma peça).

Serão exemplos básicos mas diria que a resposta mental ficou assim pelo lado da negativa. Acertei?

É normal não sabermos avaliar um trabalho sem antes termos conhecimento dos passos que levam à concretização do mesmo tal como os outros poderão não saber avaliar o nosso. Portanto, de todas as vezes que um cliente lhe pedir um trabalho de 200 páginas para amanhã, não vale a pena revirar os olhos, ou perder energia a irritar-se, ou sentir-se ofendido e incompreendido, ou achar que o mundo está perdido porque os outros não sabem coisas tão simples e elementares. Basta explicar quantos dias são necessários para terminar aquele trabalho nas condições que pretende oferecer. Tão simples como isto. Porque, na verdade, estaremos todos no mesmo patamar, é só a perspectiva do momento que muda.

 

Sobre a autora

Licenciada em Tradução, trabalha como tradutora freelancer desde 2006. Antes disso, trabalhou na área da exportação em contexto empresarial, foi formadora, esteve (profundamente) envolvida na fundação e dinamização de uma organização relacionada com a defesa do património natural e construído.



Publicada em: 18/01/2017


Partilhar Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter Partilhar no Google +


Galeria de Imagens

Contactos

Morada: Apartado 1554
4401-801 Vila Nova de Gaia

Telefone: +351 913 437 722
E-mail: geral@aptrad.pt

Envie uma mensagem