Bem-vindo, 2026!

Burlas e burlões – esquemas novos e antigos a que todos devem estar atentos
30/11/2025

Bem-vindo, 2026!

Que este ano traga 365 novas oportunidades de sermos felizes e de partilharmos momentos inesquecíveis com todos os que importam e fazem a diferença nas nossas vidas!

No que toca ao futuro da nossa profissão em 2026, tudo aponta para que seja marcado por uma transição profunda, onde o nosso papel passa a ser o de um gestor de inteligência linguística e cultural. A inteligência artificial (IA) deixa de ser apenas uma ferramenta para se tornar o motor central da indústria, empurrando os tradutores humanos para funções de gestão de fluxos de IA e de especialistas em contextos de elevado risco.

Tudo aponta para que a procura de profissionais humanos em áreas onde o erro tem consequências graves se mantenha ou até aumente, como são os casos dos setores jurídico, médico, literário e técnico. De tradutor, o profissional passará a ser um “Linguistic AI Architect“, deixando de traduzir textos isolados para projetar e supervisionar os fluxos de trabalho da IA. Este profissional será responsável pela configuração dos LLM (Grandes Modelos de Linguagem) com glossários específicos e guias de estilo que garantam a consistência e a correção de nuances culturais onde a IA ainda falha, como o humor, a ironia e o sarcasmo.

Com a tradução “mais literal” totalmente automatizada, o valor do tradutor humano reside agora na transcriação (tradução criativa), atuando em áreas como o marketing e o branding, criando ou ajudando a criar, campanhas que ressoem emocionalmente em diferentes culturas, e a consultoria cultural, onde o tradutor humano atua como um consultor que evita “gafes” culturais e adapta o conteúdo para valores e normas locais.

Mas 2026 conserva ainda setores onde a presença humana é obrigatória por questões de responsabilidade e segurança, como é o caso do direito e da propriedade intelectual, onde é exigida validação humana para garantir que contratos e patentes não sejam preenchidas por ambiguidades geradas por IA. A medicina e a bio farmacêutica, que mantêm os profissionais humanos no topo das suas pirâmides salariais atendendo ao facto de que um erro da IA nestas áreas pode ser fatal e representar milhares de euros em prejuízos, se não milhões ou até o desaparecimento do produto/negócio. A literatura e o entretenimento, onde a tradução de obras literárias e de poesia continua a ser vista como uma forma de arte, onde a “alma” do texto e o sentido do autor devem ser preservadas.

Neste sentido, para manter e até prosperar neste novo cenário, é importante que o tradutor profissional de 2026 saiba comunicar com a IA, entenda como os resultados do motor podem afetar a qualidade do seu trabalho e garanta que a tradução de documentos confidenciais através de ferramentas na cloud não compromete a privacidade do cliente.

Conclui-se por isso que o futuro da profissão não passa pelo desaparecimento do tradutor, mas pelo desaparecimento do tradutor que “substitui palavras”, já que os profissionais que souberem dominar a tecnologia e oferecer profundidade cultural terão agora mais oportunidades do que nunca neste nosso mundo hiperligado.

A Direção da APTRAD