Ser freelancer todos os dias cansa!

Prémio APTRAD 3ª Edição
20/02/2020
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11/03/2020

Ser freelancer todos os dias cansa!

Quando me perguntam como tem sido isto de trabalhar como tradutora freelancer há cerca de 14 anos, respondo muitas vezes, assim naquele modo de quem “fala a sério a brincar” que é como trabalhar no arame. Do outro lado, vem um sorriso e eu lá explico o que quero dizer e como nesta vida é tão importante ser disciplinado, manter uma concentração férrea diariamente e estar preparado para todo e qualquer abanão que possa surgir pelo caminho. Basicamente, como andar no arame (suponho eu).

Sabemos das vantagens inerentes à vida de freelancer: poder gerir o tempo a nosso bel-prazer, poder aceitar ou rejeitar propostas segundo o nosso critério, poder escolher os nossos clientes, crescer segundo a nossa linha de pensamentos, ou seja, ser mais livre. Esta liberdade tem o seu preço que concentra as desvantagens desta vida, como a incerteza, a irregularidade no trabalho, a falta de validação, a sensação de isolamento provocada pela ausência de uma estrutura ou de um ambiente corporativo.

E a verdade é que ser freelancer não é para todas as pessoas. Há características pessoais que são imprescindíveis para singrarmos nesta vida: ser organizado e disciplinado, saber gerir o seu tempo e recursos, ser pragmático, metódico, proactivo. Algo que também poderemos aplicar ao tal “andar no arame”: manter a concentração, estar atento a tudo o que se passa à volta, saber onde se coloca o pé para chegarmos são e salvos ao destino. É importante que não se vacile nunca. De cada vez que vacilamos, para além de arriscarmos uma queda e as suas consequências, perdemos tempo a voltarmos ao lugar e atrasamos a chegada à meta.

Ser freelancer é, acima de tudo, um compromisso diário para com um objetivo, requer trabalho contínuo e, em alguns dias, o cansaço tomará conta de nós. É verdade, reconheço que ser freelancer cansa. Mas, ser feliz também e nós continuamos a tentar, não é?

Bio:

Licenciada em Tradução pelo Instituto Politécnico de Leiria, é tradutora de inglês e francês para português desde 2006 nas áreas da Comunicação Empresarial, Marketing, Turismo e Assuntos Internacionais. Desde 2017 é membro da Direção da APTRAD.